Libras é a língua materna da comunidade surda, no Brasil
Instituída pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua materna da comunidade surda, no Brasil.
A Libras consiste em um sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, que tem como origem a Língua Francesa de Sinais (LSF), e que é fundamental para a comunicação de pessoas surdas.
Libras no Brasil
No Brasil, os estudos sobre a Libras foram iniciados em 1981, e desde então, a língua que utiliza as mãos para formar as palavras, vem se aperfeiçoando com a criação de novos sinais e com a readequação dos já conhecidos.
Agora, você se pergunta: Mas, quem utiliza a Libras, além dos surdos?
Saiba que mais de 12 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva, segundo dados do IBGE. Pense então que, 70% desta parcela da população vive como estrangeiro em seu próprio país, já que eles não sabem ler o português. Isso significa que oito milhões de brasileiros só usam a Libras para se comunicar.
Essa é a realidade da comunidade surda no Brasil. Mas, por se tratar de uma deficiência invisível, os surdos ainda são ignorados pela sociedade. Por isso, a Libras é tão importante e deve ser uma língua acessível para todos, garantindo a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes.
Dia Nacional da Libras
Instituído como alerta para as dificuldades das pessoas surdas se comunicarem, o Dia Nacional da Libras é comemorado, desde 2002, em 24 de abril. Em 2005, um decreto presidencial incluiu a Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior.
O decreto prevê, ainda, que a Libras seja ensinada na educação básica e em universidades por docentes com graduação específica de licenciatura plena em letras.
Estudantes de uma escola pública de Anápolis, a 55 km de Goiânia, estão dando exemplo de inclusão social: decidiram aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para poder se comunicar melhor com uma colega que é surda e, assim, ajudaram a fazer com que ela se sentisse mais acolhida. A iniciativa emocionou a família de Débora Maria Silva Santa Araújo, de 9 anos.
A turma, do terceira série da escola Professor Ernest Heeger, tem 30 alunos. Foram necessários apenas três meses para que todos conhecessem as letras do novo idioma.
Nas atividades, eles fazem questão de se comunicar por Libras e, assim, garantir que Débora sempre entenda as mensagens. A turma tem uma intérprete, como determina a lei.
Queila Romeiro conta com orgulho sobre o esforço das crianças. “Foi maravilhoso. Receberam ela de braços abertos.”As aulas de Libras vão continuar pelo restante do ano. “Ela chegou um pouco arredia, quietinha. Logo as crianças foram se achegando.
E essas crianças acolheram a Débora, e hoje é um sucesso”, explica a professora, Eliana Aparecida.
A mãe da menina, a dona de casa Rosângela Silva, diz sentir os reflexos da conduta da turma em casa. Débora se sente mais segura e fez novos amigos, conta.
“O jeito que ela está se comportando [é diferente]. Ela ficou mais comunicativa. Mudou muito, demais”, conta a mãe, feliz.
O ministro da Educação,Mendonça Filho, concede entrevista ao programa Por Dentro do Governo, da TV NBR Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Educação, Mendonça Filho, disse hoje (6) que o Ministério da Educação (MEC) busca a ampliar acessibilidade e políticas de afirmação de surdos. Segundo ele, está incluído na proposta da Base Nacional Comum Curricular, a formação adequada de professores, “para que a gente possa ter uma política pública cada vez mais inclusiva, respeitando a condição específica dos surdos ou daqueles que têm deficiência auditiva no nosso país".
Mendonça Filho participou hoje do programa Por Dentro do Governo, produzido pela TV NBR, e comentou o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio deste ano: Desafios para a Formação Educacional de Surdos no Brasil.
Segundo o ministro, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro, é quem subsidia as políticas públicas para surdos no âmbito do MEC e apoia a sua implementação pelas esferas subnacionais de governo. “Na ponta, quem tem a responsabilidade direta por essas políticas públicas são os estados e municípios. Cabe ao Ministério da Educação induzir e apoiar politicas nacionais de inclusão geral e específicas”.
Com mais de 160 anos de existência, o Ines produz material pedagógico, fonoaudiológico e de vídeos em língua de sinais, distribuídos para os sistemas de ensino. Além de atender em torno de 600 alunos, da educação infantil ao ensino médio, o instituto também forma profissionais surdos e ouvintes no Curso Bilíngue de Pedagogia.
Para Mendonça Filho, a língua brasileira de sinais (Libras) precisa ser cada vez mais incorporada na política educacional brasileira. Por isso, desde 2013, em parceria com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), o Ines disponibiliza conteúdo audiovisual acessível ao público surdo e aulas de Libras, por meio da TV INES .
Abstenções no Enem
Segundo o ministro da Educação, a abstenção de 30,2% no primeiro dia de provas do Enem seguiu os patamares de anos anteriores. Entretanto, para ele, é preciso reduzir esse número. “Preparamos o exame para 6,7 milhões de inscritos e não tivemos todos eles comparecendo à prova. Isso significa um desperdício. Se alguém tem uma motivação de força maior ou de doença é compreensível, mas outros que se inscrevem e não comparecem por razão mais banal, não é razoável. Estamos aplicando cerca de R$ 90 por prova e isso é dinheiro tirado do contribuinte”.
Ontem (5) foi o primeiro dia do Enem, com provas de redação, linguagens (língua portuguesa e língua estrangeira) e ciências humanas (geografia, história, filosofia, sociologia e conhecimentos gerais). O segundo dia de provas será no próximo domingo (12), com questões de matemática e ciências da natureza.
Um representante da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos (Apada-DF) precisou escrever em uma folha de papel para se comunicar em uma audiência no Tribunal de Contas do Distrito Federal, nesta terça-feira (3), porque a casa não tinha intérprete e os juízes não conseguiram entender a representação feita por ele na língua de sinais. A representação foi feita porque o Ministério Público de Contas do Distrito Federal entrou com uma petição no tribunal pedindo que seja cumprida a lei distrital que obriga a presença de um intérprete para pessoas surdas em órgãos públicos. O deficiente auditivo Carlos Augusto Ferreira, em sua representação, contou que já se deparou com diversos problemas para se comunicar em nos hospitais públicos.
"Já lidei com uma situação, por exemplo, no Hospital de Base. Eu vi um surdo internado numa maca e eu estranhei que esses surdos estavam com as mãos amarradas e eu fiquei chocado", começou.
A reportagem acompanhou Carlos Augusto Ferreira no DFTrans para tentar atendimento para que ele conseguisse o passe livre. Ao chegar lá, a atendente disse que a pessoa que fazia a tradução estava "em horário de lanche".
A deficiente auditiva Alusca Neves queria confirmar a consulta com o fonoaudiólogo no Instituto Hospital de Base, mas precisou escrever porque ninguém conseguia entender o que ela falava. A atendente do hospital confirmou que não tinha ninguém para auxiliar nesses casos.
“Ou ela tem que ler meus lábios ou eu faço gestos. Nem sempre a gente consegue se comunicar, e tem uma certa limitação, sim”, disse a servidora do hospital.
Em nota, o TCDF disse que "vem buscando uma alternativa para suprir essa necessidade", seja com a disponibilização de vaga em concurso público para intérprete da Linguagem Brasileira de Sinais, seja pela promoção da capacitação de servidor na tradução de libras. Já o DFTrans limitou-se a informar que não tem interprete de libras.
A Prefeitura de Osasco inicia, no próximo semestre, mais uma etapa do Projeto Libras Para Todos. A partir de agosto, uma nova turma passa para o nível intermediário e abre espaço para os iniciantes na Língua Brasileira de Sinais.
SÃO PAULO – As inscrições para o nível básico vão de 4 de junho a 13 de julho, e a aula inaugural será dia 4 de agosto, no Teatro Municipal Glória Giglio. Podem se inscrever pessoas com mais de 14 anos, sendo surdos ou ouvintes.
Mais informações podem ser obtidas na Coordenação do Projeto Libras Para Todos, pelo telefone 2183-6728.
SERVIÇO
Projeto Libras Para Todos Inscrições: 4 de junho a 13 de julho Informações: 2183-6728
Quais são os desafios para inclusão educacional dos surdos no Brasil?
No domingo 5, milhares de alunos fizeram a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e foram surpreendidos com o tema da redação, que este ano contemplou a discussão sobre a inclusão dos surdos na educação. A questão gerou polêmica entre estudantes e professores, e reverberou na redes. O principal ponto de contestação é o fato da inclusão não ser debatida, dentro e fora das salas de aula, e que apenas os textos fornecidos na prova eram insuficientes para a argumentação dos concorrentes.
A prova já foi, mas a pergunta fica: quais são os desafios para inclusão dos surdos no sistema educacional brasileiro? Segundo a educadora Fernanda Cortez, diretora da Escola de Educação Bilíngue para Surdos (Derdic), da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), é primordial compreender que a Língua Brasileira dos Sinais, a Libras, não é uma mera tradução da língua portuguesa por meio de gestos, mas se configura como uma língua própria, com características particulares.
“O português é a segunda língua do surdo, e nem todos têm o mesmo nível de fluência. É como a segunda língua para nós. Temos níveis de domínio diferentes do alemão, do inglês, do francês. Os surdos têm de aprender português e bem, porque é dessa maneira que vão se inserir, arrumar empregos, viver em sociedade. Mas não é a língua natural deles”, explica.
É nesse contexto que entendemos porque os surdos têm direito a intérpretes para auxiliar na compreensão da prova do Enem, por exemplo. “Muitos surdos têm seus direitos fundamentais feridos desde o início da experiência escolar. Diagnósticos atrasados e crianças que passam anos sem a atenção necessária, além de escolas e professores sem recursos e preparo para educar. Pensando que temos então duas línguas totalmente distintas a inclusão também se dá no nível cultural”, afirma a educadora, lembrando que este ano completa 15 anos da Libras reconhecida como segunda língua oficial no Brasil.
Outro ponto importante é a invisibilidade dos surdos. Até que a pessoa que não ouve passe a se comunicar em sinais, ninguém a nota. Elas se constituem como uma minoria, e para especialistas em acessibilidade, como uma minoria dentro de outra. “O uso de tecnologias é importante, mas a formação dos professores para uma pedagogia cuidadosa com os surdos é o fundamental. Os surdos podem fazer a leitura facial, mas eles têm de se comunicar plenamente em português e em libras. Só assim eles serão agentes da própria comunicação. Poderão trocar, que é a base do aprendizado.”
De perto e de dentro
Quem também nos ajuda a entender essa realidade ainda tão hermética para os não surdos, é a jovem professora Pâmela Mattos. Pâmela é única mestra surda do Pará, leciona na educação superior, e fez sucesso esta semana depois de publicar um vídeo criticando o comentário de uma professora que lhe deu aulas. Na ocasião a ex-professora de Pâmela classificou o tema da redação do Enem com “um golpe.”
“No ensino infantil eu era muito mimada pelos professores. Todos me achavam fofa, bonitinha, faziam carinhos em mim. Alguns faziam atividades fora da sala de aula comigo, me incentivavam. No ensino fundamental isso mudou; os professores não falavam libras e não se importavam. Passavam boa parte da matéria apenas oralmente, e se movimentavam a aula toda; eu não conseguia nem fazer a leitura labial. Insistia muito para o meus pais me trocarem de escola, e eles não entendiam o meu desejo, porque aparentemente eu era muito querida na escola pelo corpo docente, mas eles não incluíam. Os meus colegas de sala não se importavam. Nem tocavam em mim.”
As coisas só começaram a melhorar quando Pâmela entrou na escola pública, a partir da figura da orientadora educacional. “Nem todos os professores sabiam libras, mas eles eram orientados quanto ao meu processo, e isso já me incluía. Foi na escola pública que conheci meu primeiro colega surdo. Eram amigos solidários e bagunceiros. Me senti acolhida e respeitada.”
Pâmela ensina ainda que os surdos são serem capazes de exercer qualquer atividade que desejarem, e têm por direito o acesso a todos os mecanismos que potencializem suas habilidades. Educar surdos não é golpe, discutir o assunto não é golpe. Educar surdos é desafiador e possível.
DICIONÁRIO PARA SURDOS SERÁ APRESENTADO NO INOVA MINAS.
Um projeto desenvolvido no CEFET-MG busca solucionar a ausência de terminologia para conceitos técnicos e científicos em Libras. O objetivo é integrar de maneira mais efetiva os estudantes surdos em suas escolas e universidades. Assim, foi criada a plataforma digital SignWeaver, o Dicionário para Surdos.
Esse trabalho poderá ser visto no Inova Minas Fapemig, evento gratuito que começa nesta sexta-feira, 15 de setembro, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Confira a programação e participe!
TERMOS TÉCNICOS TRADUZIDOS PARA LIBRAS
Por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), surdos e pessoas com deficiência auditiva transmitem suas ideias e fatos ao mundo. A Libras é o segundo idioma oficial do Brasil e seu ensino proporciona avanços significativos nas possibilidades de inclusão para surdos no país.
No entanto, muitos estudantes têm dificuldades no acesso ao ensino, especialmente nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM). O problema é o uso de termos técnicos que nem sempre são facilmente traduzidos em movimentos e sinais.
Para contornar essa situação, intérpretes, professores e tutores empreendem esforços para criar neologismos terminológicos. Em todo o país, não há uniformidade ou metodologia clara para essas traduções.
O Dicionário de Surdos do CEFET-MG foi criado como uma solução para este problema.
SIGNWEAVER, A PLATAFORMA DIGITAL QUE TRADUZ CONCEITOS PARA LIBRAS
A plataforma digital SignWeaver (artesão ou tecelão de sinais, em tradução livre para o português) foi desenvolvida para apoiar a criação, o armazenamento e a disponibilização de dicionários terminológicos para atender às demandas das pessoas surdas em áreas tecnológicas.
A metodologia é inovadora, baseada em métodos computacionais que auxiliam a produção de novos sinais para conceitos técnicos em CTEM, de forma mais parametrizada, ágil e escalável.
Para a criação dos novos sinais, a plataforma vale-se de algoritmos de visão computacional e processamento de linguagem natural, validados por teorias linguísticas aplicadas por um comitê avaliador.
Quem está à frente do trabalho são os professores Flávio Cardeal e Vera Lima. O projeto foi também aprovado no programa de aceleração de empresas FIEMG-Lab. Nesse programa, ideias e tecnologias são lapidadas por profissionais de diversos campos para a criação de um novo negócio.
“A partir desta experiência no FIEMG-Lab, pretendemos explorar a viabilidade de se criar uma organização que leve adiante o projeto, dando maior estrutura financeira e profissional. Queremos contribuir para que o problema da escassez de um léxico específico para termos técnicos em Libras seja solucionado da forma devida”, comenta o professor Flávio Cardeal.
SIGNWEAVERNO INOVA MINAS
No Inova Minas, os professores irão expor os resultados relacionados à metodologia de criação de novos termos técnicos em Libras.
Também serão apresentadas ações desenvolvidas durante a experiência no programa FIEMG-Lab e que se relacionam com as viabilidades técnica e econômica do projeto.
Além dos professores, participam do trabalho os estudantes Carlos Carneiro e Celso Souza, do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática e Computacional do CEFET-MG; o linguista Gilberto Goulart e o ex-aluno do curso técnico em eletrônica, Felipe Teixeira (que é surdo).
Comercial da Samsung traz ação emocionante com deficiente auditivo
O jovem turco Muharren, que é deficiente auditivo, passou por um dia especial no final de 2014. Ele foi alvo de uma campanha publicitária e humanitária da Samsung que desejava promover o fim das barreiras na comunicação com a ajuda da tecnologia. O vídeo abaixo é o resultado da ação.
A ideia é da filial da fabricante na Turquia, que decidiu mostrar o novo call-center que utiliza chamadas de vídeo no país. Ele conta também com linguagem de sinais para auxiliar pessoas como Muharren, que passam por dificuldades na hora de compreender videoconferências em geral.
Para isso, a Samsung mobilizou várias pessoas (e Muharren, que não sabia de nada) para transformar o cotidiano do rapaz, resultando em um vídeo tocante que muito provavelmente vai virar um sucesso nas redes sociais.
Entenda a ação
A ideia era trazer "um mundo sem barreiras" para Muharren. Para isso, a empresa treinou vários atores voluntários em linguagem de sinais durante um mês, estudou o cotidiano do jovem e combinou uma série de passos com a irmã do "alvo".
No dia da ação, a empresa espalhou várias câmeras pela rua. Em cada lugar por onde Muharren passava, alguém se comunicava com ele pela linguagem de sinais, seja para atender ao pedido na panificadora ou agradecer por uma boa ação. No fim, um celular gigante na praça da cidade revela a novidade do call-center, recebido com bastante emoção pelo turco.
"Como Samsung, quisemos preparar uma pequena surpresa para você, porque um mundo sem barreiras é nosso sonho também. Por isso, começamos de algum lugar e lançamos o nosso call-center em vídeo. Agora, o serviço está disponível para todas as pessoas com dificuldades auditivas", explica a fabricante a um emocionado Muharren.
TIM apoia aplicativo inovador que promove a inclusão de surdos.
O Brasil possui atualmente 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, de acordo com o último censo do IBGE (2010). Destes, mais de 2 milhões apresentam perda de audição em um grau severo, situação que dificulta a acessibilidade de uma grande parcela desta população. Para ajudar a mudar essa realidade, a TIM anunciou na última terça-feira (13) o apoio nacional ao projeto “Giulia – Mãos que falam”, sistema baseado em inteligência artificial idealizado pelo Prof. Dr. da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manuel Cardoso, CEO da startup Map Innovation, para facilitar a comunicação entre surdos e pessoas que não sabem a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS).
Além do usuário surdo, a iniciativa também beneficiará as empresas, pois ajudará as áreas de recursos humanos na contratação e comunicação diária com pessoas com deficiências. Os clientes corporativos da TIM terão a tecnologia a seu favor, colaborando para um ambiente de trabalho mais inclusivo, condizente com a legislação, e com mais oportunidades de desenvolvimento para os profissionais com deficiência auditiva. Com o uso da tecnologia, a comunicação entre as companhias e colaboradores, surdos e ouvintes, será melhor e mais desenvolvida.
“Nosso objetivo é contribuir para a ampliação da acessibilidade, dando visibilidade e capilaridade nacionalmente ao projeto Giulia, oferecendo aos nossos clientes- especialmente empresas - uma solução inovadora para ampliar as pessoas com deficiência em seu quadro de colaboradores. A iniciativa faz parte do programa de Open Innovation da TIM, que tem como objetivo identificar e trabalhar em parceria com empresas com interesse de negócios complementares", destacou Janilson Bezerra head de Innovation & Business Development da TIM Brasil.
Para o criador do aplicativo, a ação permitirá uma diminuição das dificuldades encontradas pelos surdos. “Muitas das pessoas com deficiência auditiva, principalmente as que nascem surdas nos estados mais pobres, não conseguem ser alfabetizadas. Isso já as exclui do acesso à Educação, o que acarreta em vários problemas. Sem Educação, elas têm uma dificuldade ainda maior de ascensão social”, explicou o professor Cardoso.
O “Giulia – Mãos que falam” é um aplicativo baseado em inteligência artificial, que utiliza a tecnologia embarcada nos smartphones para traduzir em som o significado dos movimentos de quem está utilizando o aparelho. Por meio dele, os sinais de Libras são captados e transmitidos pela tela do celular em formato de voz e sinais realizados por um avatar, facilitando a comunicação dos surdos com as demais pessoas. A ferramenta conta ainda com diversas outras funções, como despertador, babá eletrônica, conferência, emergência, entre outras.
O nome Giulia é uma homenagem a uma jovem que teve as atividades cerebrais prejudicadas em virtude de uma bactéria adquirida ainda na maternidade e faleceu em 2015, aos 15 anos. O Giulia foi desenvolvido e testado em Manaus e, a partir desta terça-feira (13), graças ao apoio da TIM, esta disponível para todo o Brasil.
A ação faz parte de uma série de esforços da TIM no sentido da inclusão via tecnologia para a promoção da acessibilidade, como o aplicativo Emoti Sounds, que disponibiliza sons para descrever as emoções passadas nos emoticons mais utilizados nas conversas de mensagem instantânea. Além disso, a companhia está contratando profissionais com deficiência em todo o Brasil. São iniciativas que integram os funcionários em uma socialização que abre caminhos não só às pessoas com deficiências, mas a todos.
O aplicativo “Giulia – Mãos que Falam” já está disponível para download no Google Play.
Aplicativo para surdos, desenvolvido por universitários, reconhece sirenes de carros de emergência
Um aplicativo inovador promete ajudar no dia-a-dia de motoristas surdos no trânsito. O SuriCarreconhece sons como ambulâncias, buzinas, apitos e informa ao motorista surdo. Desse modo, garante maior segurança ao condutor ao dirigir. Com o aplicativo, os jovens criadores participarão da Imagine Cup, a maior competição de estudantes do mundo organizada pela Microsoft. É o único projeto representando Minas Gerais na final latino-americana.
Victor Mourthé cursa sistemas de informação na PUC Minas e conta que o projeto surgiu no final de 2016 justamente com o interesse de participar da Imagine Cup. “A equipe é formada por mim, Raquel Almeida (que representa a comunidade surda e validação), Sandro Jerônimo (professor e mentor da nossa equipe). Também temos a equipe técnica que desenvolve toda a inteligência e aplicativo, o Mateus Esteves, Emanuel Carvalho e Lucas Mari”, explica o estudante.
A ideia é bem simples: desenvolver um aplicativo que reconhece sons urbanos do trânsito (ambulância, buzina, apito policial, por exemplo) e mostrar aos motoristas surdos esses perigos que para as outras pessoas, ouvintes, é algo normal.
Porém, a tecnologia era um obstáculo. “É algo realmente difícil de fazer e os meninos tiveram muito trabalho. Eles aprenderam novos conceitos e tecnologias de última geração mesmo, como Inteligência Artificial e Redes Neurais. Ou seja, ideia clara, desenvolvimento complicado. Mas nada que fosse impossível”, completa Victor.
No final, deu tudo muito certo.
Comunidade surda comemora sanção do Dia Nacional da Libras
Universidade de Brasília divulgou o edital do primeiro vestibular para o curso de graduação em Língua de Sinais Brasileira/Português como Segunda Língua.
O dia 24 de abril será celebrado como o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a língua usada pela maioria dos surdos dos centros urbanos do País.
A data comemorativa está prevista no projeto de lei (PL 6428/09) do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), sancionado nesta segunda-feira (22). Ao apresentar a proposta, o deputado atendeu reivindicação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), instituição dedicada à causa das pessoas com deficiência auditiva, como parte da luta pelo reconhecimento e definitiva implantação da Libras.
O dia 24 de abril foi escolhido porque é a data da publicação da Lei 10.436/02, que trata da linguagem de sinais. A norma é descrita pelas pessoas surdas como uma conquista da liberdade da expressão gesto-visual, conforme ressalta a representante da Federação Nacional de Educação para os Surdos, Mariana Siqueira. "O dia 24 de abril, com a criação do Dia Nacional de Libras, marca anos de luta da comunidade surda. O principal momento da história, onde não existia em nenhum outro lugar e o Brasil saiu na frente, mostrando que o nosso futuro será muito melhor para todos nós da comunidade surda."
Na lei, o conceito de libras é descrito como forma de comunicação e expressão dessa comunidade. A Lei também serviu de alicerce para uma série de políticas públicas. Entre elas, a inserção do curso de graduação em Língua de Sinais Brasileira nas universidades públicas. As universidades federais do Amazonas, de Santa Catarina e do Ceará já aderiram a essa proposta.
Curso na UNB Agora, a Universidade de Brasília divulgou o edital do primeiro vestibular para o curso de graduação em Língua de Sinais Brasileira/Português como Segunda Língua. No total, são ofertadas 30 vagas, para ingresso no primeiro semestre de 2015. O curso vai formar professores, intérpretes e tradutores.
Segundo a professora Maria de Fátima Brandão, diretora do ensino de graduação da UnB, os futuros profissionais terão um bom campo de atuação. "Nós temos um campo extremamente favorável, relativamente bom, na medida em que temos a necessidade de inserção de educadores para a educação básica, como também da necessidade de profissionais tradutores e intérpretes, tanto na rede pública, quanto na rede privada. O alcance social da demanda de todo o sistema de educação é uma questão prioritária nessa agenda."
As línguas de sinais são as línguas naturais das comunidades surdas. Ao contrário do que muitos imaginam, as línguas de sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias.
Atribui-se às línguas de sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis linguísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico. Assim, uma pessoa que entra em contato com uma língua de sinais vai aprender uma outra língua, como o francês ou o inglês.
Tramitação O projeto, que tramita em regime de prioridade, está apensado ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (PL 7699/06) juntamente com outras 299 propostas e aguarda votação pelo Plenário.
Na sessão ordinária desta quinta-feira, dia 17 de maio, os vereadores da Câmara Municipal de Patos, aprovaram, em segunda votação, 14 projetos de lei sendo que um deles é do Poder Executivo e atende uma reivindicação da Casa Legislativa para a criação do cargo de intérprete e professor de Libras – Língua Brasileiras de Sinais.
A criação do cargo é uma conquista do Poder Legislativo patoense e, principalmente, da população que necessita do profissional, no dia-a-dia, para estudar, uma vez que foi um pleito apresentado pelo vereador e presidente da Casa, Sales Júnior (PRB), no ano passado quando foi enviado à Câmara pelo Poder Executivo a criação dos cargos para o concurso público da atual gestão.
“O cargo de intérprete não estava inserido na relação que veio do Poder Executivo e nós entendendo e observando no município de Patos, acredito que tenha somente um intérprete dentro do quadro efetivo do município, solicitamos a criação do cargo, pois, temos no município um número significante de pessoas que precisam e dependem exclusivamente de professor e de intérprete de libras”, explicou Sales.
Para o presidente da Casa, a criação do cargo é uma conquista e um trabalho de inclusão para com a vida das pessoas que mais precisam e estão ligadas, diretamente, a esses profissionais, bem como para contribuir com a administração.
O intérprete de Libras é o profissional que domina a língua de sinais e a língua falada do país e que é qualificado para desempenhar a função.
Projetos de LeiDois projetos de lei deram entrada na Câmara Municipal de Patos na sessão ordinária desta quinta-feira.
Ramon Pantera (PTN) apresentou o PL nº34/2018 que denomina Rua Euzary Alves de Lacerda, localizada no Bairro Maternidade, a antiga rua Projetada 08 (SD 304), do loteamento Residencial Guanabara.
O vereador explicou que Euzary é conhecida por sua religiosidade, sempre presente nos eventos da paróquia de Nossa Senhora da Guia, fez parte do Conselho Paroquial e Diocesano desta paróquia. Fundou a Pastoral do Batismo, a Casa da Amizade no Rotary Centro de Patos, fez parte do Instituto Histórico e Geográfico de Patos e era cursilhista.
Já a vereadora Edjane Araújo (PRTB) apresentou o PL n° 35/2018 que denomina Rua Wilson Lira Sampaio, antiga Projetada 09 (SD 305), do loteamento Residencial Guanabara. Wilson Lira foi funcionário concursado do DNOCS- Condado, no cargo de motorista, foi vice-prefeito da cidade de São José do Bonfim, no período de 1977 a 1982.
De acordo com os projetos, fica a Prefeitura de Patos a obrigação de colocar as placas denominativas e, automaticamente, informar a sua localização à agência dos Correios e Telégrafos de Patos.
Ainda nesta noite, foi solicitada pela vereadora Lucinha Peixoto (PCdoB) a intervenção do Poder Legislativo com relação a greve dos servidores municipais.
Fonte: TV Cariri
Projeto Som da Pele
Desperta a musicalidade de pessoas surdas através de uma Metodologia inovadora que utiliza tecnologia e criatividade.
Grupo percussivo formado por jovens com surdez total ou parcial, com idades entre 15 e 29 anos, oriundos de vários bairros da cidade do Recife e região metropolitana.
Os jovens participaram de oficinas de musicalização realizadas pelo grupo Batmacumba, através do núcleo “Batmacumba Inclusiva” que criou um projeto pioneiro de música participativa com pessoas surdas que, pela 1° vez em suas vidas, tiveram a oportunidade de sentir de perto as sensações que a prática de um instrumento de percussão nos proporciona.
A partir da parceria com o atelier percussivo “Casa do Tambor”, a experiência ficou ainda mais acessível, pois, além do campo sensorial, foi possível trabalhar o campo visual através de luzes e sensores que foram adaptados aos instrumentos.
Durante toda a prática pedagógica de musicalização, que teve início em abril de 2009, com uma residência artística do músico e educador Irton Silva, conhecido artísticamente pelo apelido de Batman Griô, em uma escola bilíngue, da cidade de Recife. Através do prêmio “Interações Estéticas”, oferecido pela Funarte/Ministério da Cultura.
Em seguida, surgiu a oportunidade de experimentar, em um formato mais compacto, todas as técnicas e soluções inovadoras desenvolvidas durante a residência, a exemplo de um alfabeto musical-visual – onde as figuras de tempo musical são representadas por sinais visuais, solução esta que foi aplicada a um grupo de jovens surdos de algumas cidades do agreste pernambucano durante um workshop no 19° Festival de Inverno de Garanhuns, promovido pela FUNDARPE -Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.
Em novembro de 2010, a proposta da oficina “Batuqueiros do Silêncio – Um Baque de Nação Promovendo a Inclusão” foi a única de nosso Estado a ser contemplada no edital “Idéias Criativas para o 20 de Novembro”, promovido pela Fundação Palmares/Ministério da Cultura, e através de mais este prêmio foi possível realizar a oficina que deu origem ao Grupo “Batuqueiros do Silêncio”.
O projeto tem como objetivo diminuir as barreiras sociais e culturais entre a comunidade surda e nossa sociedade ouvinte e infelizmente ainda bastante excludente, que insiste em enxergar primeiro as limitações das pessoas em detrimento das suas habilidades e capacidades, colaborando para o crescimento deste abismo social.
No repertório do grupo encontra-se os principais ritmos de nossa cultura popular, entre eles se destacam o: maracatu de baque-virado, frevo, samba, ciranda entre outros, e com o auxílio do METRÔNOMO VISUAL, equipamento inédito e inovador desenvolvido pelo educador Batman, que utiliza um sequenciador eletrônico e uma combinação de lâmpadas - de cores e tamanhos variados - que representam não só a estrutura de um compasso musical como também faz a descrição visual das frases rítmicas dos ritmos tradicionais e contemporâneos. O trabalho repercutiu de tal formas que resultou em uma metodologia inédita e inovadora chamada MUSICALIBRAS, com o objetivo de promover o resgate da identidade cultural e o exercício da cidadania de um segmento culturalmente e historicamente excluído.
Projeto ensina surdos a tocar instrumentos musicais.
Em Recife, projeto Sons do Silêncio ensina surdos a tocar instrumentos musicais.
Publicado em 29/10/2016 - 15:37
Por Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil Recife
Projetos Sons do Silêncio teve início em julho de 2015 Sumaia Villela/Agência Brasil
As buzinas e vozes do centro do Recife vão sumindo conforme os passos avançam na escada do velho Edíficio Almare, na Avenida Guararapes. No segundo andar, o barulho dá lugar à melodia de instrumentos musicais. A sala, quase no fim do corredor, tem grandes janelas de vidro e um quadro negro com partituras desenhadas a giz. Ajudada pela luz, as notas, desafinadas ou harmoniosas, transformam a aula de música em um ambiente tranquilizador. Mas ali, o professor e a repórter são praticamente os únicos que são embalados pela prática dos alunos. A maior parte dos estudantes nunca vai ouvir os acordes que praticam, porque eles são surdos.
No Instituto Inclusivo Sons do Silêncio, a música tem um significado diferente para a turma. Os alunos sentem na pele, no peito, assim como os ouvintes. Mas não no sentido figurado. Literalmente, por meio da vibração. Grave ou agudo, dó, ré, fá, sol, todas as notas e timbres vibram para eles e constroem a memória musical dos participantes do projeto, que teve início em julho de 2015.
Dayvinson Leandro tem aula de trompete no projeto Sons do SilêncioSumaia Villela/Agência Brasil
Dayvinson Leandro, 29 anos, costumava "ver" desenhos, quando era criança, com a mão na televisão, para sentir a emoção do inatingível som. Até hoje ele usa o método. Edson Alves, 22, gosta de ficar próximo à caixa de som, na igreja onde o pai é pastor, para provar um pouco da empolgação dos fiéis, que batem palmas, se agitam e cantam juntos.
Foi essa capacidade de “sentir” o som que o radiologista Dean Shibata, da Universidade de Washington, descobriu ser diferente em pessoas com deficiência auditiva. O cientista revelou que a área do cérebro dos ouvintes que percebe a música é a mesma com que os surdos percebem a vibração. E foi essa pesquisa que levou o músico profissional e pedagogo Carlos Alberto Alves, o Carlinhos Lua, 47 anos, a tentar derrubar um tabu: o de que surdos conseguiriam apenas tocar instrumentos de percussão.
“Eu estava fazendo pesquisa no curso de pedagogia, e escutei um professor dizendo que o surdo não poderia tocar violino. Que saxofone era impossível. Que o instrumento natural do surdo é percussão. Como eu já fazia curso de libras, no aniversário do meu professor toquei saxofone e ele se emocionou. Perguntei se ele estava ouvindo e ele falou que não, mas que sentia a vibração”, recorda o idealizador do instituto.
Carlinhos Lua observou, então, que ele próprio conseguia sentir essa vibração, mas de dentro do instrumento. Uma peça chamada palheta provoca a sensação. Ele colocou na cabeça, então, que ensinaria surdos a tocar saxofone. Aprofundou as pesquisas e conheceu o método Tadoma, em que um surdo-cego coloca a mão no rosto e garganta da pessoa que fala de forma a sentir a vibração das cordas vocais.
O professor Carlinhos Lua mostra o aparelho desenvolvido para auxiliar no ensino da música a surdos Sumaia Villela/Agência Brasil
A partir daí, desenvolveu um método próprio de ensino. Ao reproduzir uma nota, toca no ombro do aluno para que ele sinta a vibração. Indica a posição no instrumento e, uma vez que a pessoa tenha conseguido emitir o som corretamente, passa para o ensino da partitura.
Por causa dessas características, o aprendizado é mais lento que o dos ouvintes, mas surte efeito. José Hilton, 23 anos, conseguiu tocar um trecho de música depois de passar o fim de semana praticando em casa com o violão emprestado do projeto. Os gêmeos Anderson e Alexsson Lima, 22 anos, os primeiros alunos da turma, são os mais avançados e produzem as notas com afinação. “Sou humilde, mas a música me torna mais confiante, capaz”, conta Alexsson. Uma mudança que ele aguardou por dois anos em uma escola de música que frequentava antes do projeto, onde só deixavam que ele observasse ouvintes tocando, sem permitir que tocasse instrumentos.
Orquestra inclusiva
Para encontrar alunos dispostos a provar sua teoria, Carlinhos Lua percorreu escolas onde pessoas com deficiência auditiva estudavam. O primeiro a se interessar foi Anderson, que depois levou seu irmão gêmeo às aulas. Só que os dois não queriam tocar saxofone, e sim trompete de vara. “Passei o fim de semana estudando com o instrumento de um amigo e dei aula na segunda. Assim que começou”, lembra o saxofonista. Quanto mais pessoas buscavam a aula, mais se diversificava o interesse pelos instrumentos: violão, teclado, até tuba.
Foi assim que começou o sonho de Carlinhos, ainda nos passos iniciais, de criar o que ele acredita ser a primeira orquestra filarmônica inclusiva que tem o surdo em instrumentos variados, não só percussivos. Seus alunos vibram com a ideia. “Quero ser o primeiro tecladista surdo do mundo. O ouvinte vai ficar admirado, vou ficar famoso”, vislumbra Edson. “Vou viajar para São Paulo, para o exterior, tocando”, planeja Dayvinson, ambos se comunicando por libras e sendo traduzidos pelo professor.
A proposta é incorporar também pessoas com outras deficiências e músicos sem deficiência nenhuma. O professor quer evitar que o público veja a orquestra de uma forma estigmatizada. “A música não exclui ninguém, o que exclui são as pessoas. Se você tirar uma foto das pessoas com instrumentos na mão, não vai identificar a deficiência de ninguém. Vai ser um trombonista, um saxofonista. Não vai ser um surdo, cego. Não vai ser um deficiente, vai ser um músico.”
Falta de apoio
O Sons do Silêncio foi um dos selecionados para incubação no Porto Social, iniciativa que ajuda a formalizar e capacitar projetos sociais para que conquistem melhores resultados e apoio financeiro. O instituto agora tem estatuto e CNPJ, mas ainda não conseguiu financiadores para a orquestra.
O maior entrave é a falta de instrumentos. O saxofone é do próprio professor, eles trocam apenas a boquilha. O trombone é emprestado de um amigo; o violão é do filho dele. A única doação que recebeu foi a de um violino, entregue por uma jornalista. A turma já chegou a 20 alunos, mas hoje tem 12, por causa da evasão. “Um aluno surdo passou quase dois meses afastado porque não tinha violão. Surdo não tem paciência para ficar só na teoria, só lendo”, conta Carlinhos.
Afinadores eletrônicos também ajudariam, porque os surdos não conseguem afinar o próprio instrumento. Hoje, um tempo da aula é dedicado à afinação, feita somente pelo professor e por Wilson Teixeira, 25 anos, produtor de eventos e músico amador que tem deficiência visual e integra o grupo.
“Muitas vezes nós, as pessoas com deficiência, somos barrados. [O cidadão com deficiência] visual já é [barrado], quem dirá auditivo. Temos esse breque no Conservatório de Música justamente por isso. Encontrar o projeto, a calma que ele tem de ensinar, o método que ele desenvolveu diante de muito estudo, é uma coisa fantástica”, elogia Wilson, que destaca a proposta inclusiva do projeto. “A inclusão é isso, não é só reunir um grupo de pessoas com deficiência. É juntar todo mundo, quem tem e quem não tem deficiência. É por isso que lutamos”, completa.
Tecnologia pode ajudar
Carlinhos Lua sonha ainda mais alto que a orquestra. Um dos projetos dele é usar a tecnologia para sofisticar seu método de ensino. Criou, com um amigo, um aparelho para amplificar a vibração do instrumento. Nada complicado, e sim engenhoso: um microfone ligado por um cabo a uma caixinha de som adaptada para ficar confortável ao toque. A máquina é usada como uma pulseira, e a boca da caixinha fica colada à pele. Agora falta aprimorar a vibração do agudo, que ainda é muito fraca.
Cada vez mais inserido no mundo dos surdos, o professor passou também a identificar outras dificuldades, e pretende ampliar a atuação do instituto para ajudar a ultrapassar esses obstáculos. “O surdo entra na escola muito tarde, segundo li. A família esconde a pessoa dizendo que é amor, proteção, mas atrapalha a formação. Quando ele cresce, coloca o menino em uma escola pública. A professora não sabe nada da cultura do surdo, sem saber libras, que é a primeira língua dele. A gente também está preocupada com isso, e queremos criar um centro de formação para ensinar libras e fazer com que entrem na escola em idade correta", ressalta Carlinhos Lua.
Conheça uma pouco mais sobre o Instituo Sons Do Silêncio: