Comunidade surda visita o Centro de Ciências com a presença de
intérpretes
24 DE JANEIRO DE
2018
Em 2017, a
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) inseriu em seu quadro de
funcionários quatro intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que
atuam na Diretoria de Imagem Institucional e na Diretoria de Ações Afirmativas
(Diaaf) na tradução de vídeos, em palestras e cerimoniais. O objetivo é
promover a inclusão da comunidade surda local e possibilitá-la uma completa
compreensão e experiência.
Na
última terça-feira, dia 23, o Centro de Ciências promoveu a primeira visita da comunidade
surda com a intermediação dos intérpretes, que traduziram o que os bolsistas do
projeto explicavam sobre cada equipamento, além de intermediar as dúvidas e as
reações do público, composto por cerca de 15 pessoas.
O diretor do Centro, Eloi Teixeira,
espera que esta ação de inclusão se transforme em um projeto de extensão.
“Quando a Diaaf – Diretoria de Ações Afirmativas – nos sugeriu essa visita
especial, aceitamos na hora, pois representa uma oportunidade excepcional de
promover a inclusão e apresentar a ciência de um jeito leve e descontraído,
nosso grande objetivo aqui. Pretendemos transformar essa iniciativa em algo
recorrente.”
Infelizmente, muitos espaços
científicos e culturais ainda não fornecem ao público surdo a possibilidade da
tradução em libras, fazendo com que não tenha experiências em sua totalidade. O
professor da Faculdade de Educação, Rodrigo Mendes, elogiou a ação da UFJF. “A
oportunidade que nos foi dada aqui ainda carece em alguns lugares em que nosso
acesso é mais difícil. Também gostei muito da organização visual e das
simulações dos equipamentos. Com a intermediação dos intérpretes, a visita foi
muito proveitosa.”
Além
da medida para atender à comunidade surda, o Centro de Ciências também oferece,
na exposição permanente “A Célula ao Alcance da Mão”, 65 réplicas
tridimensionais de partes do corpo humano e textos explicativos em braile, o
que possibilita a participação do público cego. Funcionária da rede pública, a pedagoga Raquel de
Castro participou do passeio com o marido e a filha de 4 anos. Segundo ela, a
maioria dos surdos não consegue aprender Ciências adequadamente por conta de
limitações no ambiente escolar. “Mesmo sendo feito com o apoio de imagens, o
ensino de Ciências para os surdos ainda é muito difícil. Nesta visita,
conseguimos vivenciar a experiência científica de todas as formas. O trabalho
dos intérpretes nos permitiu relacionar tudo o que estávamos vendo com o que os
bolsistas nos explicaram, além de podermos experimentar os equipamentos. Ou
seja, uma vivência com total acessibilidade.”
Na
próxima quinta-feira, 25, das 18h30 às 21h, o Centro de Ciências não irá
receber visitações espontâneas, pois recepcionará novamente a comunidade
surda. A entrada é gratuita e não requer agendamento.
Fonte: http://www.ufjf.br/noticias/2018/01/24/comunidade-surda-visita-o-centro-de-ciencias-com-a-presenca-de-interpretes/


Promover a Inclusão não é uma tarefa fácil, mas é totalmente possível, quando passa a ser tratada como uma solução e não um problema. Tendo em vista a dificuldade relatada na reportagem que os surdos apresentam em aprender Ciências, percebe-se que a realização deste projeto é muito importante para comunidade surda, a interação dos surdos, com os interpretes e com os ouvintes, aprendendo Ciências e compartilhando experiências é um avanço nos processos de Inclusão. Projetos como esse possibilitam a comunidade surda participar ativamente do meio social, Isso reflete em mais uma conquista dos surdos e significa um amadurecimento social em compreender que o surdo não deve ser colocado a margem da sociedade, perceber que o surdo tem os mesmos direitos que o ouvinte.
ResponderExcluir