sábado, 19 de maio de 2018



A geração de youtubers 
surdos que está ensinando
Libras na internet
"O principal objetivo do canal é esse, mostrar 
para os ouvintes que eles precisam reconhecer 
a nossa língua."

Você sabe falar? É genético? Dá para ler lábios? Como você escreve?
Não são poucas as dúvidas que ainda existem por parte dos ouvintes
sobre a comunidade surda, apesar de o Brasil contar com uma população
de quase 10 milhões de pessoas que não escutam ou escutam parcialmente.
E é para tratar desse tema, e todos os tabus que ele envolve, que uma 
comunidade jovem e engajada tem encontrado no Youtube uma ferramenta
para literalmente se fazer ouvir.
A geração de youtubers surdos tem ganhado cada vez mais seguidores na
rede social de vídeos e é por lá que eles compartilham muita informação
sobre o seu dia a dia.
"Antes, nós nos sentíamos excluídos pelos ouvintes, mas agora não mais,
estamos convivendo muito mais com eles, aprendendo o português 
e ensinando Libras", compartilha Tainá Borges, 16 anos, em entrevista 
ao HuffPost Brasil.
A jovem de Caxias do Sul é surda e junto com o seu irmão Andrei Borges,
também surdo, comandam o canal Visurdo do Youtube. Para Tainá, a internet 
é uma das ferramentas mais importantes para ter contato com a comunidade ouvinte.
"Não tem muitos intérpretes de Libras na televisão ou em outros lugares, como 
escolas, palestras e eventos. E a gente não tem muitas escolas bilíngües que são
boas para os surdos. Se você buscar na internet ou até em livros, você encontra
ótimos conteúdos sobre Libras. Mas falta um lugar para a gente poder compartilhar
o nosso dia a dia e os nossos interesses, que são os mesmo que os dos ouvintes. 
O principal objetivo do canal é esse, mostrar para os ouvintes que eles precisam 
reconhecer a nossa língua", compartilha Tainá.
Com a ajuda dos familiares, a dupla grava e edita os vídeos em casa. Os temas
são variados e vão desde informações sobre como lidar com o preconceito, 
até as curiosidades da família, já que os pais de Tainá e Andrei são ouvintes e
 tiveram que estudar a língua dos sinais para se comunicar com os dois filhos



Conheça outros quatro youtubers surdos e os seus canais:

Léo Viturinno


criando novos gifs. Não demorou muito para que ele viesse a criar o seu próprio
canal no Youtube. Sem perder o bom humor, o youtuber fala de temas diversos, 
desde curiosidades sobre o mundo dos surdos até questões LGBTs.
Nas redes sociais, Viturinno apoia a campanha da comunidade surda #YoutuberPõeLegenda 
para incentivar que outros produtores de conteúdo se preocupem com quem não consegue
ouvir, mas apenas ler os vídeos. Com as legendas, o repertório e as referências da comunidade
 surda podem ser ampliadas, defende o jovem.


Germano Dutra Jr.


Mais conhecido como Surdo Cult, Germano dedica o seu canal para fazer comentários
sobre filmes, séries e personagens da cultura nerd. Ele também dá espaço para
as narrativas de novelas e histórias em quadrinhos.

Gabriel Isaac




Gabriel Isaac não tem medo de perguntas difíceis em seu canal. Um dos vídeos mais 
assistidos do youtuber trata da criação do "Dia dos Surdos" e o que a data significa 
para a comunidade. Em outro episódio do canal, ele comenta sobre o tema da redação 
do Enem de 2017,  que tratou dos desafios da educação de alunos surdos no País.

É Libras


No canal, Flávia Lima e Bruno tratam de temas relacionados a comportamento e
relacionamentos para
a comunidade surda.
Fonte: https://www.huffpostbrasil.com/2018/02/05/
a-geracao-de-youtubers-surdos-que-esta-ensinando
-libras-na-internet_a_23353222/ acesso em 19/05/2018




Um comentário:

  1. São iniciativas como essa, que servem de reflexão e incentivo para todos compreenderem que os surdos são pessoas de direitos e que tem potencialidades como qualquer outra pessoa, falar de assuntos que geram polémica, ou que são tabu, tanto para os surdos como para os ouvintes, servem para que a inclusão social deixe de ser algo distante e passe a ser discutida, defendida e vivenciada pelos surdos e ouvintes e que seja promovida por todos. O educador tem um papel fundamental como mediador deste processo. Um dos exemplos da reportagem é o desejo de que os vídeos do youtube, sejam legendados, pode até parecer uma coisa pequena, mas são nas pequenas ações que as grandes ações podem ser promovidas. A inclusão não está restrita ao ambiente escolar, mas a todas as esferas da sociedade.

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