domingo, 27 de maio de 2018

Sem intérprete, homem surdo usa cartaz para se comunicar em tribunal no DF

Homem surdo usa cartaz para se comunicar em audiência no Tribunal de Contas do DF (Foto: Reprodução)








Um representante da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos (Apada-DF) precisou escrever em uma folha de papel para se comunicar em uma audiência no Tribunal de Contas do Distrito Federal, nesta terça-feira (3), porque a casa não tinha intérprete e os juízes não conseguiram entender a representação feita por ele na língua de sinais. A representação foi feita porque o Ministério Público de Contas do Distrito Federal entrou com uma petição no tribunal pedindo que seja cumprida a lei distrital que obriga a presença de um intérprete para pessoas surdas em órgãos públicos. O deficiente auditivo Carlos Augusto Ferreira, em sua representação, contou que já se deparou com diversos problemas para se comunicar em nos hospitais públicos.
"Já lidei com uma situação, por exemplo, no Hospital de Base. Eu vi um surdo internado numa maca e eu estranhei que esses surdos estavam com as mãos amarradas e eu fiquei chocado", começou.
A reportagem acompanhou Carlos Augusto Ferreira no DFTrans para tentar atendimento para que ele conseguisse o passe livre. Ao chegar lá, a atendente disse que a pessoa que fazia a tradução estava "em horário de lanche".

A deficiente auditiva Alusca Neves queria confirmar a consulta com o fonoaudiólogo no Instituto Hospital de Base, mas precisou escrever porque ninguém conseguia entender o que ela falava. A atendente do hospital confirmou que não tinha ninguém para auxiliar nesses casos.
“Ou ela tem que ler meus lábios ou eu faço gestos. Nem sempre a gente consegue se comunicar, e tem uma certa limitação, sim”, disse a servidora do hospital.
Em nota, o TCDF disse que "vem buscando uma alternativa para suprir essa necessidade", seja com a disponibilização de vaga em concurso público para intérprete da Linguagem Brasileira de Sinais, seja pela promoção da capacitação de servidor na tradução de libras. Já o DFTrans limitou-se a informar que não tem interprete de libras.


Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/sem-interprete-homem-surdo-usa-cartaz-para-se-comunicar-em-tribunal-no-df.ghtml

Um comentário:

  1. Percebemos em nosso país a falta de inclusão, por isso uma das consequências são pessoas que são submetidas a se comunicar por outras formas, no caso do artigo por papel. As pessoas surdas ao ir em hospitais, tribunais, universidades, colégios, etc, não são compreendidas pela falta de interprete e acabam sendo excluídas. Aliás, muitos de nós não temos o conhecimento ou não temos interesse de conhecer a sociedade surda, a própria fonte usa palavras na qual esta incorreto
    para explicitar a notícia. Temos que conhecer-los e incluí-los.

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